Viver como se o amanhã fosse
agora. Correr como se o mundo tivesse todos os seus prazos para ontem. Sonhar
com um futuro independente, perfeito, estável, sociável... Lutar contra o
tempo, contra o vento em busca de todas as satisfações e felicidades possíveis
dessa terra.
Planejo cada passo que terei
que dar até a conquista de cada objetivo. Busco saciedade no insaciável. Me
contento com alegrias passageiras. Acho que minhas conquistas só devem crédito
a todo esse meu empenho em acertar o caminho até elas. Ah, precipitada e doce
ilusão.
De tanto correr, por vezes
tropeço. O que será que me faz errar meus passos?
Vida que corre, andei
distraída e perdi meu norte. De onde veio esse obstáculo em meu caminho?
Com um verdadeiro beco me
deparei, não sei como aqui parei, mas ao longe escuto uma voz me dizer: “Volte
ao meu deleite!”
Tanto alvoroço por tantos
sonhos, tanto anseio por tantos desejos, tantas preocupações que dispersaram o
meu foco no que verdadeiramente me sustenta... Caminhei em passos apressados
até me deparar com um baque. Trombei em algo muito mais forte que minha
dispersão, acordei e percebi onde tinha caído, por fim: Meu lugar de aflição, a
volta ao meu lugar de oração.
Foi o Senhor quem me
“baqueou”. Andei atarefada, estufada, mas Ele insistentemente continuava a me
chamar: “Por que estás tão preocupada com seus afazeres aqui? Deleite-se em
Mim. Coloque-se aos meus pés e ouça as minhas Palavras. Fale comigo. Eu estou,
sempre estive aqui.”
Quanto tempo perdi tentando
ganhar tempo... Tanto consolo divino desprezei achando que podia me consolar por
mim mesma... Tanta batalha que em vão tentei vencer por minhas próprias
forças... Tanto prejuízo à minha alma causei me distraindo e priorizando coisas
terrenas.
Como pude me deixar esfriar
a tal ponto que esqueci de como é incomparável estar diante dessa Presença? Como pude
não enxergar o quão preciso desse momento de paz que só encontro aqui? Aos seus
pés, diante do Senhor é o meu verdadeiro lugar.
Não há doçura ou satisfação
lá fora como há aqui. Não há descanso melhor do que esse que encontro aqui.
Aqui, aos seus pés, onde descarrego todas as minhas vãs ansiedades.
Mas, Senhor, sou tão pobre e
cega que muitas vezes não sei o que dizer diante de Ti. Tua santidade, amor e
grandiosidade me constrangem. Por que afinal minhas palavras são tão
significativas para o Senhor? És o dono de toda palavra, mas ainda assim queres
que eu fale. Sabes tudo que está em meu coração, mas ainda assim se preocupas
em ouvir de mim.
E o que tenho feito em troca
dessa atenção?
Eu digo que O amo, mas não me preocupo em estar a sós com
Ele. Quanta hipocrisia em mim! Eu digo que sou Sua serva, mas não reconheço Sua
Soberania em minha vida. Tantas vezes Sua vontade não aceitei! Quão rebelde tem
sido o meu coração dando lugar à ingratidão.
Vivo em um mundo onde tudo é passageiro, tenho esquecido do
que é eterno. Procuro me satisfazer com manjares insaciáveis, de uma terra
insaciável. Corro atrás de coisas que vão me proporcionar somente uma
felicidade momentânea e deixo de lado a Fonte da verdadeira Alegria.
Hora de acordar, hora de levantar. Hora de caminhar, hora de
me estressar. Hora de comer, hora de descansar. Hora de pelo amanhã esperar,
hora de tudo de novo começar.
A hora de agradecer por mais um amanhecer? Esqueci. Tempo de
comunhão com Deus? Negligenciei. O meu melhor a Ele? Não entreguei.
O Senhor me quebrantou e de volta ao meu lugar de oração me
levou. Com temores terrestres me distraí, mas a Misericórdia e Graça não perdi.
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"Caminhando Jesus e os seus discípulos, chegaram a um povoado, onde certa mulher chamada Marta o recebeu em sua casa.
Maria, sua irmã, ficou sentada aos pés do Senhor, ouvindo-lhe a palavra.
Marta, porém, estava ocupada com muito serviço. E, aproximando-se dele, perguntou: "Senhor, não te importas que minha irmã tenha me deixado sozinha com o serviço? Dize-lhe que me ajude! "
Respondeu o Senhor: 'Marta! Marta! Você está preocupada e inquieta com muitas coisas;
todavia apenas uma é necessária. Maria escolheu a boa parte, e esta não lhe será tirada'."
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