sexta-feira, 16 de março de 2018

O Reflexo da Beleza





Era uma manhã de segunda como todas as outras.
Mônica acordou, se espreguiçou, os dentes escovou, seu café e banho tomou. Mais uma semana se inicia, pensou.

Na escola, a aula de matemática, em ponto, começou. Quase sempre Mônica se perdia. A lógica dos números ela não entendia. O mundo das letras é menos complexo, sempre dizia.

Mas seu sofrimento ia além das frações. Era jovem e já não entendia por qual motivo o mundo tinha tantos padrões. Olhava suas colegas de classe e das moças da TV lembrava. Beleza, vaidade e futilidade, ela as comparava.

Qual o conceito de beleza? De onde vem? Qual sua utilidade? Mônica se questionava.

“Gorducha, baixinha e dentuça”, um de seus colegas de classe a chamava. Provocação que todos os dias ela enfrentava. Ela sabia que aos padrões atuais da sociedade realmente não se encaixava. Para ela, ter seu próprio padrão era o que importava, mas para o resto do mundo isso não bastava.

Nos intervalos das aulas Mônica se isolava, pois as piadas maldosas das colegas não aguentava. “Fofinha e feinha, coitadinha”, elas a intitulavam. “Por que ela é assim?”, se indignavam. “Somos tão diferentes dela”, no espelho se admiravam.

Naquela tarde, Mônica ao voltar para casa, a rejeição mais uma vez viu dentro de si surgir. Por um momento, aquele orgulho que suas colegas tinham ao olhar para o espelho, desejou sentir. Por um momento sua beleza exterior queria notar, mas as palavras “fofinha e feinha” eram só o que conseguia em seu reflexo enxergar.

“Como posso parecer mais bonita?”, começou a todos perguntar. “O que fazer para ter mais formosura?”, ao seu pai foi indagar. “O coração alegre aformoseia o rosto. Um sorriso pode qualquer aparência melhorar. Enxergar a beleza de ser quem você é, é só o que vai te ajudar a melhor se enxergar.”, foi a resposta que recebeu. Foi então que percebeu: O reflexo do espelho é só uma projeção superficial do seu verdadeiro eu. Havia mais dentro de si para ver, havia mais sobre a beleza para saber. Havia mais para, sobre o espelho, perceber.

Foi quando de uma forma diferente para o espelho começou olhar. “Ninguém é como eu”, começou a pensar. Seus traços, olhos e histórias são únicos, passou finalmente a se gostar. Do jeito que era, começou a se aceitar.
Diante do seu temido reflexo, seus piores complexos resolveu enfrentar.


Mônica se levantou de repente, era um final de tarde de segunda, de todas as outras diferente. “Espelho, espelho meu, existe garota mais bonita do que eu?”, somente por um segundo, o silêncio diante da pergunta, a estremeceu. Mas “quem cala consente”, foi o que enfim orgulhosamente a si mesma convenceu.

sexta-feira, 9 de março de 2018

Tudo o que por nós eu não fiz


Na noite mais escura eu não te liguei
Não mais desejei ver seu rosto quando acordei
Tudo mudou, eu mudei, desencantei
E bem tarde tudo que por você não fiz eu enxerguei

Te dei meu coração, você me dedicou uma canção
Mas ao final da última nota eu soltei sua mão
A escuridão, solidão, perdemos o chão
Quando nada mais importa o amor perde a direção

Você me viu chorar, quis minhas lágrimas enxugar
Mas meu cruel e cego orgulho fez você para sempre se afastar

Oportunidades perdi, me feri, te iludi
E hoje já não tenho você aqui
Seu abraço desprezei, seus beijos não mais quis
Toda a nossa história virou apenas cicatriz

Se eu realmente te amava
Ter feito por você um pouco mais não me custava
Somente meus interesses importam, eu pensava
Em minhas trevas internas eu não enxergava
O quanto seu amor por mim, aos poucos, eu matava
Disposto a lutar por nós eu não estava

E agora a consciência me diz
Que deveras seu amor eu perdi
Por tudo que por ele eu não fiz
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