A Arte de Cantar
Cole aqui, caro leitor.
E aí? Já cantou para alguém hoje? Não, né? Por isso está aí, lendo esta crônica em que (santa ironia do destino!) abordará sobre duas formas de cantar, descritas por alguém (mais ironia!) que não canta e não sabe (ou não entende) quase nada de cantadas.
Desde criança, aprendemos algo muito interessante em nossos momentos, digamos, mais íntimos.
Não entendeu? Sejamos mais claros. Quem nunca se sentiu "a estrela" em um simples banho? Quem nunca confundiu a escova de dente ou de cabelo com um microfone e o espelho da mãe com a platéia que o assiste ou com uma câmera que o filma? Eis a mais denota arte de cantar: "v.t. Emitir, com a voz, sons musicais." (Aurélio).
Mas, podemos observar que "cantar" pode tratar-se de uma polissemia, já que o ser humano, em sua quase ilimitada criatividade, descobriu que essa arte pode ser ainda mais lucrativa do que simplesmente se apresentar... Como assim? Vejamos, no mesmo dicionário, outro significado da palavra: "Pop. Seduzir com palavras ou maneiras hábeis." Pois é... Viu como o uso deste vocábulo pode ser uma homonímia perfeita (mesma grafia e pronúncia)? Ou seja, eu posso cantar para alguém ou cantar alguém. Mas, nem sempre cantar tudo o que vier na cabeça, como diz o Raul Seixas, dá certo.
E é exatamente onde eu queria chegar. Porque nem sempre cantar pode colar. Essa área de canto é muito concorrida, sacou? Portanto, bonecas falantes, princesas fora do castelo, estrelas caídas do céu, gatinha, graxinha, não colam mais, cara. Pedir número do "Totó" não cola. Pedir para dar um "rolé", pode causar um rolo "desenrolável" denominado "fora", "toco", ou a mais temida de tudo: a "queimada". Aí... Outra "homonímia polissêmica"... Quem brinca com fogo pode se queimar... E quem canta mal, também...
Antigamente éramos mais felizes. Aí, você me pergunta, suponho: O que "se colava" antigamente? Aaaaahh, sereníssimas serenatas! Violão, canto à capela! Isso sim era saber dar uma boa cantada!
Existe forma mais romântica do que cantar alguém, cantando? Creio eu que não...
Então, executemos a doce arte de cantar! Cantemos, não só por cantar... Cantemos até que o dia amanheça, cantemos até tocar, tocar, tocar o coração de alguém...
Mas, cuidado em uma cantada, pois você pode se dar mal e acabar em uma dançada.
Flávia Maia